pipo69

Um blogue que acompanha um novo percurso múltiplo de diversas dimensões anónimo, indolor, incolor

sábado, julho 25, 2009

Sem Páginas #101

Título - Memórias Políticas
Autor - Marquês de Alorna
Edição - Tribuna da História - 2008

As justificações são sempre isso mesmo. Necessidades de fazer entender o que muitas vezes não tem explicação. Nem raíz profunda, nem certezas absolutas. Apenas a noção de se estar a combater de um modo profundo o que se sabe no interior estar mal. Como dizia o professor de paleografia o suporte tem sempre razão, quem o lê é que pode estar a fazê-lo mal. E depois toda uma memória histórica para limpar.

Etiquetas:

Sem Páginas #100

Título - Glorias Militares Portuguezas
Autor - Zephyrino Brandão
Edição - Lisboa - 1908

A necessidade de indocrinar. Apenas isso numa lógica progressista de alfabetização das massas. A profundidade de paradoxo da transmissão de conteúdo altamente dogmático através de uma construção narrativa histórica. O modo como a narrativa pode apenas servir uma dinâmica é ao mesmo tempo confrangedor e assustador. Um pouco como um dogmático em noite de jantar partidário depois de dois jarros de tinto. Capaz de gritar por tudo e por todos. Mesmo pela Pátria.

Etiquetas:

domingo, julho 05, 2009

Sem Páginas #99

Título Hoods - The Gangs of Nottingham a Study in Organized Crime
Autor - Carl Fellstrom
Edição - Milo Books - 2008

Graus de violencia, escalada de dor e tiros. Sem cor de pele, sem espaço. A redução do terror á sua verdadeira escala, a Humana. A capacidade da imposição do terror e da violência numa escala meramente humana conseguir influenciar a vivência de uma cidade. Meia duzia de mauzões a partir umas cabeças, bêbados e drogados e depois admiram-se com as lógicas de eugenia social. Depois o modo como as instituições sociais conseguem falhar, apenas forçadas por lógicas populistas e sem lógicas totais. O falhanço das soluções localizadas numa realidade social complexa e a única solução passar pela resposta equilibrada aos desafios complexos.

Etiquetas:

sábado, junho 20, 2009

Sem Páginas #98

Título - The World According to Clarkson
Autor - Jeremy Clarkson
Edição - Penguin - 2007

Apenas como enumeração de uma persona. O senso comum de uma máscara que preenche um n.º pre-determinado de caracteres. Depois aquele grau envergonhado de identificação com o senso comum, nível intermédio de conhecimento. A partir daí a construção de um esquema individual de vida que mais ninguém consegue atingir. O segredo do universal e do seu contrário. Pequenas teias que nos prendem aquele tecido social. Isso e acreditar que o concorde tem alma. Apenas isso nos divide.

Etiquetas:

segunda-feira, junho 15, 2009

Sem Páginas #97

Título – Renegades – Hitler’s Englishmen

Autor – Adrian Weale

Edição – Pimlico – 2002

O estudo base para qualquer esforço posterior. A noção finita de uma crença infinita. Para não esquecer que todos fazemos parte de realidades transitórias. Apenas isso sem qualquer realidade estanque feita de meias verdades. Os sentimentos humanos levados na sucessão de dias sem fim. Numa qualquer chancelaria ou nos muros de um stalag. Depois uma escolha, feita por poucos e não pela grande maioria. A diferenciação presa numa margem matemática. Nada mais e nada menos. Depois a forca, assim como antes e como assim vai ser depois.

Etiquetas:

Sem Páginas #96

Titulo – On the Use and Abuse of History for Life

Autor – Frederick Nietzsche

Edição – 1873

Uma filosofia de vida quando menos precisava dela. A epifania do fundo do poço onde reinam as sombras. Uma aprendizagem cumulativa da realidade e não a presunção de uma capacidade de acumulação no vazio. Depois o confronto com aquilo que se acredita e o virar para a relatividade de uma certeza finita. A confirmação de que o que se disse em duzentos quilómetros não está muito longe da verdade. Infelizmente a verdade não é aquilo em que acredito. Fé e História. Substitutos de Moral e Religião. Apenas isso e nada mais.

Etiquetas:

Sem Páginas #95

Titulo – Monitor

Autor – James Tertius deKay

Edição – Pimlico – 1999

Numa realidade fraccionada nada pode ser garantido. Nem o mais forte muro de pedra nem o mais pesado navio. Preso numa imobilidade fluvial de saber quem se é, nunca partiu para o mar para conhecer a sua vocação. Recursos, fama e glória que se perderam para manter a flutuar dois símbolos antagónicos. Mais do que o destino individual de cada um dos navios é o seu impacto que marcam o futuro. Não a vaga mortífera nem o rastilho fumegante, apenas a certeza de que após aquele confronto de horas a história marítima nunca mais seria a vela e a madeira.

Etiquetas:

Sem Páginas #94

Titulo – Churchill’s Generals

Autor – John Keegan (ed.)

Edição – Cassel – 2005

Como é que se pode justificar o injustificável. A inépcia política, a impreparação militar, a incapacidade de resposta mas acima de tudo o fim de uma era. Claramente a Grande Guerra é esta segunda. Escalas globais numa cronologia terrestre. A multiplicidade de teatros leva á incompreensão de como foi possível perder. Não se sabe bem o que se perdeu mas todos deram um passo para trás. Válvula de escape de um mundo que realmente acabou não no silêncio mas sim no ruído de uma sala de conferências subterrânea. Ou em Ialta ou em Teerão.

Etiquetas:

sábado, maio 30, 2009

Sem Páginas #93

Titulo - Amsterdam
Autor - Irvine Welsh
Edição - Random House - 1998

A história improvável escrita numa tábua de argila. O eterno retorno de quem somos. Fantasmas de sombras que já foram gente, importante para si e para quem quiser acreditar. Depois o frio e o sentimento de vazio que se abate. As acções de quem sofre pelo vazio e pela plenitude. Dos outros que nos ocupam o espaço. Para depois ficar alguém a rir-se num quarto de hotel. A pensar na víuva.

Etiquetas:

segunda-feira, maio 11, 2009

Sem Páginas #92

Título - Granta 103
Autor - V.A.
Edição - Granta - 2008

Partindo sempre do combate. Do fim em si que se coloca entre o eu e o ele. Do ponto de partida que é a convivência e dos meios que são infinitos. Porque os dias são dias, apenas o que se consegue com eles é que distingue os Homens. Seja num apartamento no UK a preparar bombas, seja numa base no meio do deserto iraquiano, seja numa quinta do midwest americano. Iremos sempre encontrar um adversário pela frente, um segredo nunca revelado, uma memória traída. Ou apenas a imagem que nos mira ao espelho. E que nos leva para o outro lado, para aquele banco de autocarro com a mochila entre as pernas. E depois o som das sirenes.

Etiquetas:

segunda-feira, abril 20, 2009

Sem Páginas #91

Título - Terrence Malick
Autor - Lloyd Michaels
Edição - 2009 - University of Illinois Press

Porque o melhor grau de identificação é com a Historicidade. Nada de Naturezas, nada de Sentimentos. Apenas a constatação de que o Cinema não se pode arrogar um papel substituto ao da História. Como criador de factologia o meio cinematográfico deve assumir um papel de contador de história, de narrador de uma acção. Nunca pretender recriar factos e acções que se encontram contidos numa inacessível cápsula de tempo perdida na memória. A capacidade de Malick ultrapassar essa vontade de recriar e transferir para o suporte apenas aquilo que interessa. A Imagem que temos, a Memória que construímos e a História que deixamos para a posteridade.

Etiquetas:

domingo, abril 19, 2009

Sem Páginas #90

Título - Desastres de la Guerra
Autor - Francisco Goya
Edição - Madrid - 1863

A criação da imagem como leitura do acontecimento tem sempre uma característica transformadora. Mesmo a fotografia insere uma variável (a lente) que impossibilita a integração do sujeito na cena. Mas com estas imagens acontece exactamente o contrário. O grito humano sai do papel, não se encontra contido neste. O sofrimento e a dor estão não só espelhados mas sobressaem como ultima etapa da realidade. Porque há quem use lentes e filtros mas Goya usou uma lupa para os sentimentos humanos destruídos pela Guerra.

Etiquetas:

segunda-feira, abril 13, 2009

Sem Páginas #89

Título - using The Ugly Duckling to find The Missing Link between boys and men
Autor - Nick Clements
Edição - sound of the heart - 2008

Partindo de uma narrativa explora-se a metáfora. Mas não colocando em causa a narrativa a leitura da metáfora está presa ao discurso acrítico. Mesmo tendo em conta as especificidades da realidade britânica dos últimos 30 anos, famílias monoparentais, corte dos laços geracionais, conflitos sociais torna-se dificil assumir a metáfora pelo seu valor facial. O peso do que fica desse processo, o lastro que enche o espírito, o ruído de fundo dos pares têm um valor paradoxal. Não pode haver receitas finalistas para crescer, a beleza de crescer está na sua unicidade, a beleza de viver está nessa unicidade da experiência. Porque não há tempos para viver, apenas a obrigação de viver o tempo da melhor maneira que pudermos.

Etiquetas:

quinta-feira, março 19, 2009

Sem Páginas #88

Título - The Great Riots of New York 1712-1873
Autor - Joel Tyler Headley
Edição - Thunder's Mouth Press - 2004

Porque tudo o que senti lá está assumido nesta leitura de século XIX. Preso a um espaço em mutação, alimentado vorazmente pela emigração a força e a vontade foram-se libertando. Com mais ou menos força, nada escapa a estas pulsões. A sua enumeração apenas dá um carácter universal á existência humana. Aquele modelo ocidental, único e universal, com já algum tempo e que vai de vez em quando ameaçando cair de podre. E depois quebram-se os barris de farinha e eles não percebem que o que está em causa não é a apropriação mas sim a propriedade despudorada. Principalmente em tempos de crise, principalmente agora.

Etiquetas:

quinta-feira, março 12, 2009

Sem Páginas #87

Titulo - Granta 104
Autor - V.A.
Edição - Granta - 2008

Porque é um valor sem vinculo. Acima de tudo um nome que se tem de impor. Porque ninguém lhes atribuiu uma presença irrecusável. No entanto ninguém os desdanha, sejam biológicos ou afectivos, porque o laço de sangue nem sempre é garantido. Nesse sentido o amor de pai é mais construído do que o da mãe, menos primordial mas mais combatido. E depois temos as pegadas, dificeis de seguir mas sempre cobiçadas. Porque quando olhamos para a areia da praia, seguimos o chão que está marcado, o chão que outros já marcaram para nós. Sempre na expectativa de que venha uma onda que leve esse caminho que almejamos.

Etiquetas:

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Sem Páginas #86

Titulo - John Peel - margrave of the marshes his autobiography
Autor - John Peel & Sheila Ravenscroft
Edição - Corgi - 2008

Porque há vidas que interessa contar. Realidades que se mantêm constantes, na sua própria coerência, do ponto de partida á chegada. Onde o que conta é mesmo o que se viveu, o que se fez, onde o grau de realização não se mede apenas se constata. Num assumir sem complexos do que se fez, do que se quis fazer e do que se deixou por fazer. Porque apenas conta o que sobra de nós, aquela pequena réstea que permite a memória de quem fomos.

Etiquetas:

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Sem Páginas #85

Título - Bring the Noise
Autor - Simon Reynolds
Edição - Faber and Faber - 2007

Porque esteve lá. Naquele tempo, passou pelos hypes todos. Sentiu a certeza da vitória final e a eminente derrota aquando do crossover. Porque a história da música é ciclica. Mesmo depois de todas as conclusões, o processo vai-se repetindo. Mas na voragem do tempo vai ficando mais refinada na capacidade de destruir sonhos. E depois haverá sempre um grupo de 4 miudos com guitarras e uma bateria que inventa mais uns acordes.
Mesmo a electrónica partiu desse conjunto de sons, tranformados pelo psicadelismo e o que fica depois é apenas isso. A transformação intestina do nosso tempo, do tempo que dispensamos aos nossos ouvidos para nos iluminarem.

Etiquetas:

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Sem Páginas #84

Título - Passive Aggressive Notes: Painfully Polite and Hilariously Hostile Writings
Autor - Kerry Miller
Edição - Collins - 2008

Porque o comportamento humano e a convivência ainda são o nosso maior esforço. Como dizia o Nietzsche, se começarmos a relativizar a realidade todas as convenções são ridiculas. Por isso 99% da realidade social não faz sentido e é apenas nos restantes 1% que somos humanos. O restante tempo somos uma amálgama de convenções, de incompreensões, de desentendimentos de reconhecimentos para conseguirmos ir do ponto A ao B sem magoar os sentimentos de ninguém. Porque as convenções quando são quebradas têm uma força primária que mexe com a nossa vontade. De estilhaçar todas as existentes e por inventar e dar uma grande gargalhada.

Etiquetas:

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Sem Páginas #83

Título – As Cartas de Abelardo e Heloísa
Autor – Abelardo e Heloísa
Edição – Guimarães – 2003

Porque no fundo não há excepção. Apenas a carne, o desejo, a vontade de possuir e de ser possuído. O abandono de tudo e todos, o agarrar do momento naquele corpo quente, o matar de uma respiração ofegante do corpo que nos abriga.
Porque para além do que nos rodeia, nada muda. Nada muda no combate entre duas almas perdidas, ninguém ocupa o seu tempo vivido apenas passa por ele como pelas memórias dos que o rodeiam. Numa pequena luz que ilumina os olhos da alma.
E depois confessado pelos lapsos das palavras, aquele frenesim, aquela palavra, aquele definir do abandono de si pelo outro, por encontrar-se no outro.
No fim, leitos abandonados e frios, ontem como hoje sobra a recriminação do prazer. A memória de tempos construídos. De absolutos sem fim. De fins absolutos para a felicidade.

Etiquetas:

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Sem Páginas #82

Título – The Mask of Command
Autor – John Keegan
Edição – Penguin – 1988

Poderá assumir-se como real a análise de case studies e evoluindo dos modelos criados para a extrapolação de significados, símbolos e signos para o comportamento humano. Porque para além de todo o tempo, espaço é a acção que conta. O tempo e espaço apenas definem que está presente e onde. Agora as acções e todo o movimento, actos e decisões que acarretam são criados pela vontade daqueles que partilham o sangue.
Na exploração da distância e no fugir do sangue, criação teórica de uma superior capacidade de direcção dos subordinados encontra-se a substância de todos os desastres. Apenas dominando as variáveis do terreno e impondo uma imagem presente pode o líder aspirar a obter respostas verdadeiras. O resto são comportamentos definidos e incutidos que não correspondem a vontade, apenas condicionamento.
O que fica por dizer é que se o comandante se tem afastado do campo da batalha (do espaço) e trabalha numa dimensão multi-temporal (múltiplas decisões de alcance diferenciado) os Homens que continuam a ocupar esse espaço e esse tempo contínuo que dura o confronto nunca perderam essa aura do Herói. Esses nunca perderam o contacto com o sangue (o seu, dos camaradas e dos inimigos) nunca deixam de ser os verdadeiros heróis.

Etiquetas: