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Todo o mal e todo o bem
Cedo voltará nós
Inocente e trágica lição
Se uma vida não chegar
Hei-de ter cem vidas mais
Quantas mais ditar o coração
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Um blogue que acompanha um novo percurso múltiplo de diversas dimensões anónimo, indolor, incolor
Todo o mal e todo o bem
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Porque existe sempre um primeiro movimento.
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Como numa pequena torre de barro, tudo começa com o primeiro tijolo. Abre-se um buraco na terra e imagina-se o edificio. O problema foi mesmo o primeiro tijolo ter caído de lado. Ficou apenas a face mais pequena a sustentar o edíficio. O problema foi mesmo o edíficio ter demasiadas portas e janelas. Depois foi preciso fechar todas. Abrir novos roços e esperar pela canalização. Coompreender de novo a diferença no tempo individual. E que a maior parte das vezes, rodamos em tempos diferentes. Apenas saber isso já é um ponto de partida que nem todos partilhamos.
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Porque no fundo apenas estamos a falar de estatutos. De escalas sociais e de tentar ultrapassar o presente. No meio de tudo o resto, fica-se preso á noção de que a realidade é a mesma mas o grau de humilhação vai evoluindo. Pelos vistos o grau da independência tem pedido de mais para o meu gosto, mas nada que umas mudanças não corrigam. Rumos correctos numa vida a fugir do estabelecido.
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Porque depois de tudo o tempo está lá. Vem a noite e o sol já não faz sombra. Não há nenhuma linha que marque o tempo. Apenas uma leve recordação do que se passou, apenas a noção do que me espera. E depois o sonho de horas serenas ao sol, com a sombra a avançar para o fim do dia.
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Porque não há que fugir. Ou antes não dá para fugir. Porque desde a realidade orgânica, a força mental e a imposição visual. Porque não somos ninguém sem os outros mas o inferno somos nós próprios. O problema não é o confronto com o outro corpo que contra nós choca. Apenas o confronto com aquele que habita o nosso corpo. Quando qualquer alma é a nossa alma, mas quaisquer olhos que nos perscutam no espelho não são os nossos. Não somos nós. Somos aquele outro.
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Porque o espaço define a acção da moralidade, nunca a acção em si. Escondida num recato todo o pecado se transforma em libertação. Todos os constragimentos são esquecidos entre paredes cegas, surdas e mudas. Tudo é permitido, o limite é a vergonha.
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Não quero que tu, para me exortares à virtude e incitares ao combate, declares que "a virtude é perfeita no infortúnio" e que "aquele que não tiver combatido com lealdade não obterá a sua recompensa." Não ambiciona a coroa do vencedor; é-me suficiente evitar o perigo. É mais seguro escapar ao precipicio do que provocar a batalha.
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" ´A rational army,` said Montesquieu, ´would run away.` And so, if we accept that self-preservation is the ultimate expression of rationality, we must agree it would."
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No meu lugar é normalmente um conceito associado a um espaço. Define-se uma fronteira desse espaço, percepcionam-se limites ultrapassáveis e barreiras intransponíveis. E depois há aquelas situações em que nos colocam no nosso lugar. De novo naquele espaço do qual não devíamos ter saído. Porque o mundo é dos que podem não dos que querem.
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Entre as batidas de um bateria, nos pequenos silêncios que marcam as batidas. Porque não há silêncio que dure sempre nem ruido que não acabe.
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Estrenhamente uma ave maria chega aos meus ouvidos.
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Porque não há tempo para tudo. Para assinalar todos os momentos e todos os acontecimentos. Apenas um olhar para trás e conferir o inevitável. Este é um ano novo. De criar apenas o que pode ser um perfeito desconhecido de mim mesmo. Mas por cima de tudo sobrevive uma vontade, uma necessidade de manter algum registo. Porque perder o pé neste remoinho das horas, dos dias e dos minutos é algo que verdadeiramente me assusta. E ainda faltam tantas páginas para escrever. Fugir, apenas para a frente onde se encontra o tempo ainda por viver.
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Trails of troubles,
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Porque nada havia para sair. Nenhuma conclusão brihante. Nada de novo, os vícios do espírito continuam os mesmos. Já sem aquela luz que os ofusque. Então apenas temos de dar lugar ao embaraço e aos constrangimentos de quem já não se reconhece ao espelho do outro. Been there, done that e apenas isso, porque não vale a pena fingir muito mais. Apenas os fantasmas no armário.
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Correr nem sempre resolve as coisas. Não houve problema porque soluções são meramente oportunidades à espera de acontecer. Nem foi preciso voltar atrás. Apenas esperar que passe. Como a chuva. Apenas um fenómeno.
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Porque a mudança de ano traz sempre novidades. Por vezes apenas uma perca de inocência. Ainda não se vendeu a alma ao diabo apenas se perdeu o sono. E depois é-se preso por ter cão e preso por não ter. Os passos são calculados milimetricamente para não se falhar. Encontra-se finalmente a verdadeira face. Aquela que começa depois de um fim. A verdadeira toldada pelo medo.
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Porque ainda existem algumas almas caridosas que não pensam só em si. Dão a mão e lembram quais os deveres e o recto caminho para não ficar desalmado. Porque é tudo muito bonito mas ficar sem alma é que não. Não merece a pena. Nem o estrago que provoca.
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Porque haveria sempre um final na contagem. Primeiro começamos e ainda se comemorava os números redondos. O 100, o 200, o 500 e todos os 69. Mas depois o ritmo louco fez perder o norte e o gozo á coisa. Mas no fim sempre foram 3837. E depois ainda não se contaram as outras. As horas perdidas e as ganhas. Porque contas sem números não se fazem. Que as vitórias morais são só para os outros. Eu prefiro as outras.
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